Integração voz e movimento no sábado 24 de outubro

16 10 2009

arte-laranjeiras






Presente lindo do poeta Lucky Leminsky

8 07 2009

Camila

Santo

é  o canto

do mar profundo

olhos nos olhos

num acalanto

com este

e outros

mundos





Show Árvore da Voz hoje

23 05 2009

A Árvore da Voz são diálogos vogais que simbolizam as três fases da vida: a infância, a juventude e a maturidade. A Árvore da Voz é um caminho que LaSa desenvolverá com a ajuda de uma shrutibox indiana, xequerê peruano e kalimba africana, a partir de seu timbre mestiço e de sua pesquisa artística voltada para as raízes tribais e ambiências vocais. LaSa é um zOOm em MilaSan, performer multimídia, de origem multi-racial (européia, africana e indígena), que pesquisa as novas sonoridades da voz há 10 anos e cantos sagrados há 3 anos.

Artmosfera 23_05





Uma história que começa com contrato creative commons

20 04 2009

MexeQMexe.mp3 está completando um ano entre os mais votados no site de colaboração musical Overmixter.

A novidade é que agora outro som vocal meu entrou para a lista. É o Mouche_Hum_San.mp3, que foi sampleado pelo Dj Flanicx que atualmente lidera a lista.

O mais curioso de tudo é o desdobramento que aconteceu com outro som meu, o Sereia.mp3. Ele foi sampleado pelo Dj Myxed Mode em sua faixa Cyber Lolerey que foi em seguida usada pelo Dj Kaparao em sua faixa Passeando na Lua. Ambos os samplers também entraram no ranking.

Estou muito satisfeita com o retorno de votos para minha voz e de quem usa ela. Por isso já comecei a preparar uma nova safra que entrará por lá em algumas semanas.





Participação

12 04 2009

Esteve no Rio na semana passada o pessoal do SARC, Sonic Arts Research Centre da Queen’s University Belfast, apresentando peças que misturam música contemporânea e eletrônica. Eles se apresentaram no Salão Leopoldo Migues no campus da UFRJ do Passeio.

Tive na ocasião a oportunidade de conhecer os compositores sul-americanos Miguel Ortiz Pérez e Brian Cullen e o irlandês Chris McClelland, amigos do Pedro Bittencourt, cujo site já é divulgado por aqui há um tempo.

Os quatro mosqueteiros se apresentaram no Plano B nesta sexta-feira, 10 de abril e me convidaram para fazer uma participação com vocais. O resultado foi muito divertido e agradou o público da casa, amantes do som eletrônico.

Houve de tudo: de sensores captando a eletricidade dos braços de Miguel, ao um microfone captando os toques de Pedro no sax, o Teremin de Brian, que capta ondas eletro-magnéticas e as transforma em frequências sonoras, tudo mixado, inclusive em imagens pelo Chris. Para entrar num tal antro audio-espacial somente partindo de abstrações vocais com garganta, palato e língua.

Pura diversão que rendeu uma hora de gravação das quais uma boa parte será divulgada em breve aqui sob o link webrádio.





Sobre o Creative Commons

25 02 2009





Cantar pode ser essencial

17 05 2007

O QUE NOS INSPIRA, LIBERA-NOS, ALEGRA-NOS E NOS DÁ VIDA

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Depois de vivida a saga de cada dia e diante de tantos mistérios, só resta ao homem cantar e dar voz às emoções que lhe vêm da alma. Pois foi cantando para implorar, lamentar, agradecer ou celebrar que por muitos séculos caminhou a humanidade e assim parece que continuará caminhando. Mas no ponto em que está, talvez seja necessário promover um reencontro com a sua alma. Nada melhor do que cantar para isso!

Uma pouco de vã filosofia somente para lembrar ao leitor que cantar está na essência do homem, tanto quanto dançar e amar. E devemos cantar, se quisermos ter saúde, uma mente arejada, experimentar o amor e alguma alegria. Estamos, porém, tão impregnados de idéias malucas sobre o que é cantar, sobre estilos, gêneros, timbres, afinações, etc, etc., sejamos cantores ou não, que chegamos a aprisionar, inibir, ou até mesmo a banir do nosso sistema, uma função que nos é tão natural e ao mesmo tempo exclusiva a poucos eleitos dentre os seres da criação: a de cantar, pelo simples prazer de cantar! Assim como o fazem os pássaros, as baleias, as crianças, os loucos e grandes cantores que emocionam platéias às vezes nem tão grandes, mas igualmente sensíveis.

Buscar a fonte de inspiração pode ser um bom começo para quem ouviu o canto da sereia e quer seguir cantando também.

Alguns instantes de silêncio e escuta atenta serão importantes na preparação para essa longa e maravilhosa viagem musical através do canto; costumam trazer “dicas sonoras”, provenientes dos ruídos nossos de cada dia, por exemplo, uma sirene, um apito, um miado, um latido, etc. Os mais sortudos chegam a perceber o som das folhas secas varridas pelo vento, ou o timbre aveludado de um violoncelo ao longe. Às vezes é o ritmo que nos arrebata: sons repetidos entre determinados espaços de tempo, capazes de dar um sentido auditivo até ao incômodo bate-estaca. No profundo silêncio, podemos com atenção ouvir o som do coração e da corrente sanguínea dentro dessa excepcional caixa de ressonância, seus condutos e seus mistérios, que somos todos nós.

Romper o silêncio após alguns instantes é um impulso natural: soar é preciso, para não implodir. Esta fonte tão primordial de inspiração que é a nossa própria existência orgânica nos dá o tom, se confiarmos em sua força. Soaremos graves e fortes, mesmo quando liberamos o cansaço, a dor, a raiva ou a garra. E estaremos irmanados com a terra e seus significados, fonte de inspiração para os povos indígenas de todos os cantos do mundo. Ou podemos soar tão agudos quando as torres dos mosteiros medievais, de onde emanavam vozes como a da abadessa Hildegard von Bigen.

A inspiração que vem do corpo

Num mundo cada vez mais cheio de opções, o ideal é deixar o corpo falar. Para o aspirante ao prazer do canto, vale pedir auxílio aos ombros e aos quadris. Eles costumam ajudar a voz a sair da terra e a subir até a fonte da sensualidade e das emoções, que reside pouco abaixo do umbigo. Dali costumam brotar invocações, chamadas, gritos e sussurros, envoltos em vogais mais abertas ou mais fechadas, ou contidos em fonemas ancestrais carregados de força e significados ocultos que, se bem escutados e repetidos, ganham forma de música e são encontrados na raiz dos cânticos sagrados de diferentes culturas, nos mantras ou nos pontos de candomblé. E quem diria que estamos apenas entrando no mundo da musicalidade. Tão mais naturalmente quanto mais nos permitirmos abrir para o potencial que nos acompanha desde sempre. A essas alturas já percebemos quais partes nossas andavam caladas e, que dirá, esquecidas pelo que entendemos como a arte do canto. E, então, nos perguntamos: como pudemos viver sem essa experiência essencial por tanto tempo? Vamos descobrir que há povos, tradições, culturas, grupos, pelo mundo afora que preservam seus cânticos até hoje, alguns dos quais já identificados, pesquisados, gravados e difundidos para que se tornem fontes de inspiração para outros. É tão rica essa dimensão que poderíamos passar uma vida inteira, ou várias, só dedicados a pesquisar as sonoridades dos índios, dos tibetanos e indianos, dos africanos e outros tantos.

Aqui vale lembrar que antes da produção musical desses povos, há a natureza, eterna fonte de inspiração dos inocentes, dos homens de fé, dos poetas e dos artistas, e de quem quer que de alguma forma vislumbre a inter-relação, a sinergia e a união de tudo o que é manifesto. Só para as águas do mar, Caymmi dedicou metade da sua musicografia.

Outras fontes, novas possibilidades

Mais livres, leves e alegres continuamos a viagem lembrando então da nossa história musical. O que ouvimos quando pequenos?

Os sentimentos contidos nas singelas melodias das canções de ninar ou das cantigas de roda das meninas, nos cantos de “guerra” das brincadeiras de meninos são marcantes o bastante para nos acompanhar vida afora e passíveis de serem acessados a qualquer momento. Basta parar e lembrar. Não faltam também registros desse repertório para nos avivar a memória.

Pensar que talvez nunca cheguemos a cantar como nossos ídolos – que normalmente são da estatura de uma Elis Regina, uma Ella Fitzgerald, Caetano, Sinatra, ou mesmo Callas e Pavarotti – não deve excluir o fato de que esses predestinados à fama podem nos inspirar a soltar a voz, incorporar o personagem e recriar a canção à nossa moda.

Com um pouco mais de ousadia e dando asas à imaginação, busque as outras artes. Ouça que música lhe traz a pintura, a poesia, a dança ou a fotografia. Improvise, crie, brinque! Há platéias e mais platéias em todo o mundo pagando para satisfazer-se com a grande satisfação dos artistas.

Mais leves ainda, confiantes e com o entusiasmo da criança diante do presente novo, chegamos ao portal da musicalidade, prontos para atravessá-lo com os recursos que escolhemos ao longo da viagem preparatória. Já do outro lado (o da música, naturalmente), percebemos que tudo está contido neste rico universo, onde somos livres para transitar, onde encontramos as vozes da voz e nos encanto com elas. E onde também, teremos o privilégio de reencontrar a nossa alma. Pelo menos a nossa alma de poetas.
Se desejar seguir viagem pelo mundo da música vocal não faltarão métodos, escolas, espaços, parceiros e instrumentos. Algum deles oferecerá aquilo que estávamos buscando. Portanto, parafraseando o sábio ditado, segundo o qual quando o discípulo está pronto o mestre aparece, quando o cantor está pronto, a música também aparece.

Por Alba Lirio

Cantora, professora e coordenadora no Brasil da Vox Mundi School of the Voice