Mama Vibes

15 11 2009

saraswati_salve





Tabocca está produzindo o evento Brazil Week no Reino Unido

25 10 2009

Jungle Drums Out 09 int

O evento, que acontece em Oxford e Londres, contará com exibições dos filmes da empresa, palestras sobre Clarice Lispector e a língua portuguesa e show de Adriana Calcanhotto, Moreno Veloso e Domenico Lancelotti.

Saiba mais no press release que a Jungle Drums, nossa parceira local na produção do projeto, preparou: PR_BRAZIL WEEK

O projeto Três in London – Brazil Week é patrocinado pela Vale e TAM, e apoiado pelo MinC e Itamaraty e pela Oxford University.





Amizade

9 07 2009

O que a Adriana Ribeiro (Soar Mec) deseja para mim:

caminho contínuo, de ar e surpresas

as tantas belezas (que eu sei te acompanham)

prontas pra colheita

- à safra que vem!





De Corpo Inteiro no Canal Brasil

10 06 2009

Atenção fãs de carterinha, chegou a hora de ver o tão esperado filme…

Na próxima terça-feira, 16 de junho, às 22h, será exibido pela primeira vez na televisão o filme De Corpo Inteiro, da minha sócia Nicole Algranti, baseado no livro Entrevistas de Clarice Lispector, tia-avó dela.

O filme conta com grande elenco que atua em diálogos existencialistas entre Clarice (interpretada por diversas atrizes), Nelson Rodrigues, Djanira, Carybé e Jorge Amado, entre outras personalidades incríveis de nosso país, ainda vivas que puderam responder, anos depois, às perguntas de Clarice novamente.

Outras exibições programadas são: UM POUCO MAIS FAM – Festival Audiovisual do Mercosul – de 5 a 12 de junho, Projeto de Professores de Santo André – dia 18 de junho, Flip – Festa Internacional de Paraty – dia 5 de Julho na Casa de Cultura de Paraty, e Espaço Telezom – Projeto Cine Adapt – dia 18 de julho

Palmas para essa vitória da Taboca Produções Artísticas, apoiada pelo Canal Brasil!

BotafogoVitória literalmente, gente!

Nicole conseguiu gravar uma cena de ficção durante um jogo do Botafogo, time de Clarice.





Show Árvore da Voz hoje

23 05 2009

A Árvore da Voz são diálogos vogais que simbolizam as três fases da vida: a infância, a juventude e a maturidade. A Árvore da Voz é um caminho que LaSa desenvolverá com a ajuda de uma shrutibox indiana, xequerê peruano e kalimba africana, a partir de seu timbre mestiço e de sua pesquisa artística voltada para as raízes tribais e ambiências vocais. LaSa é um zOOm em MilaSan, performer multimídia, de origem multi-racial (européia, africana e indígena), que pesquisa as novas sonoridades da voz há 10 anos e cantos sagrados há 3 anos.

Artmosfera 23_05





Enfim um Filme sobre as Entrevistas de Clarice Lispector

5 09 2008

O filme De Corpo Inteiro, da minha sócia Nicole Algranti, já está dando o que falar.

Curta a matéria da Deolinda Vilhena:

Sobrinha-neta filma amigos de Clarice Lispector

Divulgação

Tônia Carrero, Nicole Algranti e Deolinda Vilhena nas gravações do filme  De corpo inteiro

Tônia Carrero, Nicole Algranti e Deolinda Vilhena nas gravações do filme De corpo inteiro

Deolinda Vilhena
De Santos (SP)

Há alguns anos conheci uma garota, sim ela tinha pouco mais de 18 anos, seu nome Nicole Algranti. Era uma garota como tantas outras da sua idade, com um pequeno detalhe: era sobrinha-neta de Clarice Lispector. E Clarice, Clarice era um pouco meu ídolo, seus livros fazem parte da minha história…

Nicole queria ser fotógrafa. Passaram-se os anos, nos perdemos de vista, e graças à Internet retomamos contato. Ela é leitora assídua dessa coluna. Nicole hoje é cineasta.

Há alguns meses ela me falou de seu projeto de transformar em filme as entrevistas de Clarice Lispector realizadas entre maio de 1968 e outubro de 1969, para a revista Manchete, sob o título de Diálogos Possíveis com Clarice Lispector, e outras feitas para o Jornal do Brasil, reunidas no livro Entrevistas, lançado em maio de 2007 pela editora Rocco. O livro reúne conversas de vida com 25 personalidades como Bibi Ferreira, Tarcísio Meira, Chico Buarque, Tônia Carrero e os falecidos Paulo Autran, Iberê Camargo, Clóvis Bornay, Marly de Oliveira, Érico Verissimo, Helio Pellegrino, Tom Jobim, entre outros. Transportar para a telona esses encontros memoráveis me soou como um desafio.

Pois não é que Nicole – leia-se Taboca Produções, em parceria com Camila do Espírito Santo – conseguiu captar recursos, montar um elenco de primeira que vai de Louise Cardoso a Lucélia Santos passando Aracy Balabanian e Fernando Eiras até uns jornalistas alçados à categoria de “atores por um dia” – como essa que vos escreve e Arnaldo Bloch de O Globo, e está produzindo e dirigindo De corpo inteiro para ser lançado no mercado de DVDs no Brasil?

Para tornar isso possível ela conta com uma equipe competente e deliciosa: Chico Serra, Joana Antonaccio, Luis Saldanha e muito mais.

Vocês podem imaginar o tamanho da minha surpresa quando recebi o convite para participar do filme entrevistando três mulheres “porretas”: Bibi Ferreira, Elke Maravilha e Tônia Carrero.


Clarice Lispector

Custei a acreditar, afinal não sou – nunca fui e nunca serei – atriz. Sou jornalista e produtora, e agora também professora. Mas me deixei seduzir facilmente e adorei ser por alguns minutos a grande e inigualável Clarice Lispector.

Além do mais, tive tratamento de estrela, com direito a toda a atenção da Débora Mazloum, produtora de arte e figurino do filme, que fez um belo trabalho nos brechós da vida para encontrar figurino para mim. Lembro da minha cara quando recebi o e-mail dela pedindo minhas medidas… Telefonei para dizer que vestia ainda E, de enorme ou I de imenso, disse que havia perdido trinta quilos, graças a uma gastroplastia recente mas que ainda estava (estou!) muito longe de ser uma sílfide. Ela não desanimou e, quando cheguei, lá o figurino à minha espera. Roupas que adorei. Quis até confiscar o vestido de listras vermelhas.

Depois veio a parte da filmagem. Em primeiro lugar fomos filmar na casa de Tônia Carrero, a Tônia que tanto amo como vocês podem conferir numa coluna publicada aqui ano passado, e depois, na casa de Elke, por quem tenho profunda simpatia, eu e 99% dos brasileiros.

Estrear no cinema aos 48, quase 49 anos, sem jamais ter sido atriz na vida: sou um caso único ou pelo menos raro de produtora por opção e não por frustração, vivendo Clarice Lispector/jornalista e contracenando com Tônia Carrero é muita sorte.

Sorte que, Dieu merci como dizem meus amigos franceses, me acompanha. Querem ver? Quando aos 17 anos entrei para o teatro, entrei pela porta da frente, jamais havia feito teatro, sequer amador, e começo a trabalhar na companhia Maria Della Costa. Quando quis trabalhar na área da música o que aconteceu? Fui trabalhar com Clara Nunes. Quando quis trabalhar numa redação de jornal, não fui nem para a editoria de polícia e nem para a geral, mas para a coluna social, como assistente da Hildegard Angel. Quando quis ser professora universitária onde dei minha primeira aula? No Programa de Pós-Graduação do Departamento de Artes Cênicas a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Não posso ser modesta, posso?

Mas voltando ao De corpo inteiro, devo dizer que fomos a primeira equipe a filmar na casa nova de Tônia Carrero, recebidos com a delicadeza e elegâncias de sempre, primeiro por Nina, fiel escudeira de Tônia há 22 anos, depois pela própria Maria Antonieta Portocarrero, que não recebeu nome de rainha da França por acaso.

E como foi bom rever D. Tônia. Não nos encontrávamos desde outubro passado. Ela não havia me visto após a cirurgia bariátrica e preciso dizer que ao lado de Edla Van Steen e Ariane Mnouchkine, Tônia é muito responsável por essa minha decisão. Ela nunca gostou de me ver gorda, ela não entendia que nem todo mundo nasceu para ser Tônia Carrero.


Tônia Carrero e Deolinda Vilhena nas filmagens

Aos 86 anos, completados há duas semanas, ela continua linda, aliás, ela foi, é e sempre será a mais bela mulher que encontrei nessa vida. Não conheço uma que seja páreo para Tônia, porque além de bela, ela exala vida, coisa que falta na grande maioria. E, detalhe importantíssimo, Tônia tem excesso de neurônios, é uma beleza que pensa. Muitas podem ser belas, mas não pensam. Outras pensam e não são tão belas. Perfeita só Tônia Carrero.

A cada vez que a vejo penso no Paulo Mendes Campos dizendo que quando Tônia Carrero “irrompia na sala, na rua, na praia, ninguém podia olhar para outro lado, como acontece na penumbra quando se liga a televisão. Era de uma beleza formal, inconsútil, sem pespontos. E era, simultaneamente, em todos os seus gestos e instantes, uma graça. Uma graça nascente, a pular dos olhos, a recortar-se no sorriso, uma graça muito juvenil e quase um pouquinho estouvada. E daí, na duplicidade do encanto de Mariínha andava uma contradição, pois as mulheres esculturais são sempre hieráticas, e nossa estátua de Ipanema era descontraída, eufórica, esportiva. Ela, por excesso de espontaneidade, acabava de criar um estilo novo no comportamento das moças lindas.”

Ao final da gravação, estávamos todos de quatro. A equipe de De corpo inteiro saiu da casa de Tônia de alma lavada. Ficamos lá pouco mais de duas horas, mas recebemos uma aula de vida, porque nesta arte D. Tônia é mestra.

Da casa da Tônia partimos rumo ao Leme ao encontro de uma nova aventura. Destino final: a casa de Elke Maravilha.

Meus caminhos profissionais pouco cruzaram os caminhos da Elke. Lembro-me de tê-la encontrado algumas poucas vezes. O primeiro encontro nos bastidores dos programas do Chacrinha, sim, freqüentei os bastidores do Cassino e da Buzina acompanhando Clara Nunes. Depois em 1979/1980 Elke substituiu Djenane Machado, minha grande amiga e companheira de tantos bons momentos nessa vida, na revista “Rio de cabo a rabo”, cuja temporada no Teatro Rival marcou época na vida de toda uma tchurma, confiram meu artigo sobre. Mas Elke tem muita história para contar e um CV de fazer inveja.

A chegada na casa dela já é em si uma cena surreal. Quando a porta se abre, o tom arroxeado das paredes da sala, os altares, com direito a todos os santos e entidades de todas as religiões tradicionais e não-tradicionais desse mundão de meu Deus, são de impressionar. E saltitando entre uma imagem de “Cristo, Oxalá, Buda, Oxalufã, Maomé, Oxossi, São Francisco, Ossaim, Dalai Lama, Oxum, Nelson Mandela, Ogum, Alexandre o Grande, Xangô, Clementina de Jesus, Nanã, Tupã, Oba, Itamar Assumpção, Seu Zé Pilintra, Michelangelo, Logunedé”, encontra-se um gato preto.


Elke Maravilha no filme De corpo inteiro
(Foto: Nicole Algranti, especial para Terra Magazine)

Quando ela entra, com a peruca de dread lock loura e suas roupas exuberantes, no cenário descrito anteriormente é uma imagem que nem Salvador Dali ousaria imaginar. Melhor só quando ela abre o sorriso e diz “entrem crianças”.

Conversa vai, conversa vem, enquanto a equipe prepara o material, instala a luz, etc, Elke nos brinda com as histórias de alguém que nasceu na Rússia, mas precisamente em São Petersburgo, e que antes de se instalar aos seis anos de idade em Itabira do Mato Dentro fez escalas na Alemanha e na França. O pai agrônomo via no Brasil um país de infinitas possibilidades e como diz Elke um país “onde todas as raças e crenças convivem lado a lado e até judeu se dá com árabe e vão juntos ao centro de macumba!”

Depois lembrei-me de que ela falava diversos idiomas. Na verdade fala oito idiomas: alemão, italiano, espanhol, russo, francês, inglês, grego e latim e aí o show foi completo.

Elke nos presenteou com trechos do seu espetáculo “Elke – do Sagrado ao Profano” no qual ela interpreta canções e textos os mais diversos. Ouvimos Elke cantar em russo, depois uma canção de amor em grego e depois uma canção de Atahualpa Yupanqui, em espanhol. Verdadeiro espetáculo. Aliás Elke se apresentará a partir de hoje, às sextas e sábados, à meia-noite no Espaço dos Parlapatões em Sampa. Recomendo.

Elke já fez de tudo nessa vida: foi professora, tradutora e intérprete de línguas estrangeiras, foi bancária, secretária trilíngue, bibliotecária, modelo e manequim. Tendo começado a carreira de modelo aos 24 anos com Guilherme Guimarães, trabalhou para grandes estilistas – com Zuzu Angel inclusive – e era considerada uma inovadora nas passarelas como explicou numa entrevista:

“Perguntam-me como criei este estilo, este visual que me caracteriza. Digo que sempre busquei compor este jeito, claro que não era assim como agora, pois hoje a coisa é mais abrangente, com o tempo venho me descobrindo muito mais por dentro e colocando o que descubro para fora. Costumo dizer que sempre fui assim, só que com o tempo estou piorando! Na realidade, sempre fui um trem meio diferente, sabe? Ainda adolescente resolvi rasgar a roupa, desgrenhei o cabelo, exagerei na maquiagem e saí na rua… Levei até cuspida na cara. Mas foi bom porque entendi aquela situação como se estivessem colocando-me em teste. Talvez, se meu estilo não fosse verdadeiramente minha realidade interior, eu teria voltado atrás. Mas sabia que nunca iria recuar. Eu nunca quis agredir ninguém! O que eu quero é brincar, me mostrar, me comunicar”.

E isso ela fez muito bem. Acabada a filmagem, segui com Nicole para a Fiorentina, não sem antes passar na porta do antigo prédio onde Clarice morava na Rua Gustavo Sampaio no Leme. Precisava sentar num porto seguro antes de voltar para casa, para pensar um pouco em tudo o que tinha vivido, ouvido e aprendido numa única tarde-noite.

Na Fiorentina, além do Djalma, encontramos a Fernanda Montenegro, o Fernando Torres, a Maria Inez Barros de Almeida, a Bárbara Heliodora, o Sérgio Britto, enfim o teatro brasileiro. E me senti em casa.

Conversamos um pouco com todo mundo e combinamos minha volta ao Rio para gravar a entrevista com a Bibi Ferreira, que como muitos de vocês sabem, é presença mais do que constante e importante na minha vida desde 1981. Bibi está em turnê com Às favas com os escrúpulos. É outra maluca: aos 86 anos, mambemba pelo Brasil como o fez com pouco mais de um ano acompanhando a mãe, Aída, numa turnê pela América Latina. Mas isso é outra história.

Assim que Bibi chegar ao Rio e conseguirmos conciliar as agendas de todos com a equipe e o cronograma do filme, seguirei ao encontro de Clarice mais uma vez, De corpo inteiro e a alma também…

Valeu Nicole…

PS – Esta coluna já estava escrita quando soube da partida de Fernando Torres. Grande ator, grande companheiro, tremendo bom caráter e um verdadeiro homem de teatro, ainda que tivesse flertado com a televisão e com o cinema, a partida de Fernando confirma a orfandade de uma geração que aprendeu a amar o teatro através de figuras como ele. À Fernandona, Fernandinha e Cláudio o meu abraço carinhoso e minha torcida infinita para que eles consigam se recuperar de tão dolorosa perda. Esta é uma coluna de teatro, a perda de um HOMEM de teatro da envergadura de Fernando Torres a deixa de luto.

SERVIÇO
Elke Maravilha em Do sagrado ao profano

Acompanhada por Dan Maccaferri (violões e guitarra), Leandro Ferro (percussão e bateria), Yuri Steinhoff (contrabaixo e bambolim) e direção de Rubens Curi, Elke interpreta, em cinco idiomas, canções que vão de compositores como Villa Lobos, Atahualpa Yupanqui a Falcão; e textos de Drummond, São João Evangelista e muito mais.
Espaço dos Parlapatões – Pça Franklin Roosevelt, 158 ¿ Tel.: (11) 3258-4449
De 05/09 a 11/11. Sextas e Sábados, à meia-noite.
Ingressos: R$ 30.

Deolinda Vilhena é jornalista, produtora, Doutora em Estudos teatrais pela Sorbonne, pós-doutoranda em Teatro na ECA/USP com bolsa da FAPESP.




Sobre a sincronização com o Calendário Maia

25 07 2008

Desde a época “gloriosa” da Roma Antiga, a humanidade passou a sincronizar seu tempo de forma artificial, obedecendo à vitoria da tirania universal sacramentada durante a formação do Calendário Gregoriano. Ainda saudamos a Júlio César e a Augusto, no meio do ano civil. Ainda alimentamos a idéia de que a conquista e o domínio de outros povos pode levar alguns personagens da história, a eternizarem o modo de vida de toda a espécie humana.

Não vou entrar aqui no mérito de em que ano estamos. Pois não é o nascimento de um só homem, um acontecimento na história de um só povo que vai unanimizar a realidade sensorial de nosso tempo. Existe espaço para que o tempo comece a ser contado de onde quisermos. A própria humanidade descende de outras espécies e ainda temos muito a descobrir sobre esse ponto. Nada disso muda o tempo tal qual estamos vivendo AGORA. Essa sensação que quase todo ser humano no dia de hoje vive neste planeta global, de que…o tempo passa rápido demais, cada vez mais rápido.

Quando eu era criança, os adultos me diziam que isso era uma conseqüência da idade, que “quanto mais vivemos, mais a vida passa rápido”. Eu não sofria de angústias com relação ao tempo naquela época, mas o medo de não ter tempo de fazer as coisas foi me invadindo aos poucos e de forma espantosamente exponencial.

O problema que enxergo hoje, é que crianças muito pequenas, que apenas estão aprendendo a falar, já se queixam do tempo que passa rápido demais, para suas cabeçinhas asceleradas e hiper-ativas, para seus coraçõeszinhos que já batem tão mais rápido que os nossos. A desculpa da idade já não cola mais. E que tempo estamos deixando para as gerações futuras? Um tempo de estresse garantido, eu diria.

Todas as civilizações sempre adequaram seu tempo a ideais, materializados nos períodos feriados, nas datas sagradas e políticas, e nas festas populares que permitem que nunca esqueçamos algumas coisas que vêm passado remoto. Mas a matemática de cálculo do nosso tempo social precisa mesmo nos obrigar a viver anos bissextos? Então não é possível haver um mais ritmo contínuo e eqüânime em na evolução de nossas vidas?

Pode parece pouco, mas viver meses com mais de 28 dias significa não levar em consideração a relação entre o planeta Terra e a Lua. Lá atrás no passado, isso seria justificado pelo Sol ser maior que ambos, a Terra girar em torno do Sol e Lua em torno da Terra. Ademais, culturalmente o Sol sempre representava o masculino nas tradicionais culturas latinas, herdeiras do patriarcado romano e católico. Mas na dimensão do tempo terráqueo, todos os astros se relacionam obedecendo a um mesmo propósito: um fluxo contínuo de perpetuação da vida. A Lua pode parecer pequena, mas é nossa vizinha mais próxima, o imenso satélite que rege nossas águas, internas e externas. E queiram ou não os machões, é ela quem determina quantas mulheres no mundo estarão sensíveis, amorosas ou mal-humoradas todos os meses do ano. É ela quem determina quantas vidas a mais serão geradas em um dia.
No passado, existiam povos que cultuavam a Lua e outros o Sol. Isso era um reflexo daquelas culturas, que eram em geral matriarcais quando adoravam a primeira, e patriarcais quando adoravam a segunda. Mas quando surgiu o debate sobre a finalização do Calendário Gregoriano, a grande promessa era a de que enfim, na Terra, seguiríamos a relação de nosso planeta com o Sol e com a Lua, respeitando os ciclos naturais das estações do ano e das marés.

Tenho em casa, um pequeno livro de bolso, “Hymnes au Masculin”, coleção animada por Colline Faure-Poirée, com os três primeiros textos de culto à masculinidade escritos pelo ser humano (pelo que sei, eles vêm das antigas Grécia, da Índia e da China). O prefácio do livro, Odon Vallet, ressalta o curioso fato de algumas línguas, como inglês, darem tão pouca ênfase à necessidade de agregar um gênero às palavras, mostrando que isso não interfere tanto assim na existência dos conceitos e na nossa relação com eles. Dessa forma, Sol e Lua têm gêneros respectivamente maculino e feminino em francês, e o oposto em alemão. O que apóia minha visão de que o mais importante no imaginário do tempo, simbolizado por estes astros, não é o sexo que representam, e sim a fecundidade humana que influenciam. Mais bebês são gerados em estações quentes e nascem em luas novas.

Fim da guerra dos sexos, fica a pergunta que não quer calar: porque viver nossas vidas em função de um calendário que não respeita nosso ritmo biológico?
Ou ainda mais: que consequências isso tem na evolução da espécie humana?

Mais que determinar um calendário, os antigos Maias construíram um sistema de calendários circular. Em sua forma de medir o tempo eles consideravam o espaço como uma dimensão intrínseca, que flui não em linha reta, como na convenção européia ocidental, mas com ciclos repetitivos (“Najt”) representados graficamente por uma espiral.

Para os Maia, o tempo é uma energia real, uma força que existe em todo o universo, cuja freqüência seria 13:20 (13 são as lunações de 28 dias que formam um ano e 2o o número de anos que rege um ciclo de vida, em vez de uma década, como fazemos). 13×20 resultam em 260 dias que formava o calendário civil dos Maia e é também a duração de um ciclo ovariano da reprodução humana desde a concepção até o nascimento.
Bem quanto ao ano bissexto: Hoje, calcula-se que o ano sideral para a Terra completar órbita do Sol, seja de 365,242198 dias.  No Calendário Gregoriano, este tempo é artificialmente vivido como 365.2425 dias, e no Maia era de 365.24213 dias. Os céticos podem até alegar que se observarmos o calendário Gregoriano teremos 1 dia a cada 4 anos a repor e no calendário Maia 1 dia por ano a repor (hoje chamado o dia fora do tempo, que se comemora dia 25 de julho). Entretanto, o calendário deles só era preciso ser atualizado a cada 52 anos, em uma festa chamada a Festa do Sol. Para mostrar como o tempo é mesmo uma questão de ritmo e cultura.

Deixo aos astrônomos, matemáticos e físicos, descobrir o quanto estes cálculos estão próximos da física quântica, da biologia moderna e das teorias decorrentes da relatividade de Einstein. Mas não perco a chance de ironizar algumas coisas:
* Porque contamos em décadas, se o tempo médio de uma ser humano gerar descendentes é de pelo menos 20 anos?
* Porque num planeta super-populoso como o nosso, não aproveitamos o ciclo de tempo que nos foi dado pela natureza e não trabalhamos apenas 260 dias?
* Porque não damos uma folga a metade da população mundial, composta por mulheres, e fazemos alguma coisa para integrar as lunações ao nosso cotidiano?

Pequenas mudanças geram grandes revoluções, esse é meu lema. Eu acredito no tempo que levamos para amadurecer como pessoas únicas em caminhos únicos, e este tempo não se mede em um ano de vida. Eu acredito em ciclos que refletem em números o relógio biológico que carrego em meu ventre. Eu acredito que exista uma relação muito profunda entre o ritmo de vida da humanidade e a Lua.
Mas eu não acredito em fim do mundo, não acredito que o problema seja irrecuperável e não acredito que a solução seja impossível de aplicar.

Bem, menor que o Sol, menor que a Lua e menor que a Terra que sou, não posso falar pela humanidade. Mas vivo o mesmo tempo que a humanidade e posto aqui um vídeo para ilustrar como a angústia humana de não sentir mais o tempo passar pode ser resolvida em 1 único minuto.

Salvar o mundo é tomar consciência dele. Conscientizar o mundo é se relacionar com ele.

Pela sincronização do nosso cotidiano com o Calendário Maia, aqui…