
Sexta dia 14 de agosto no Plano B farei sons vocais em um duo com o Montano
13 07 2009Comentários : Deixar um comentário »
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Uma história que começa com contrato creative commons
20 04 2009
MexeQMexe.mp3 está completando um ano entre os mais votados no site de colaboração musical Overmixter.
A novidade é que agora outro som vocal meu entrou para a lista. É o Mouche_Hum_San.mp3, que foi sampleado pelo Dj Flanicx que atualmente lidera a lista.
O mais curioso de tudo é o desdobramento que aconteceu com outro som meu, o Sereia.mp3. Ele foi sampleado pelo Dj Myxed Mode em sua faixa Cyber Lolerey que foi em seguida usada pelo Dj Kaparao em sua faixa Passeando na Lua. Ambos os samplers também entraram no ranking.
Estou muito satisfeita com o retorno de votos para minha voz e de quem usa ela. Por isso já comecei a preparar uma nova safra que entrará por lá em algumas semanas.
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As redes nasceram em mim no encontro da sensorialidade com a cooperação
27 03 2009Até dez anos atrás, meu destino parecia totalmente voltado para as artes. Pintora desde os 8, primeira encomenda de quadro aos 12, primeira exposição aos 15, reconhecimento da mídia aos 19. Adolescente eu sempre respondi que seria artista quando crescesse. Entretanto, até os 18 ignorei a importância de duas outras artes latentes em mim, que eu praticava desde os 6 e 15, respectivamente, e que com 19 se tornaram uma necessidade: a dança e a música.
Ao contrário da estrada reta que foi a pintura em minha vida, a dança foi um verdadeiro labirinto. Balé clássico, moderno, jazz; danças árabe, indiana, grega, russa, espanholas; técnicas populares, sagradas, terapêuticas; de tudo eu experimentava. Chegando até a fronteira das práticas meditativas de Chi-Kun e Tai-Chi-Chuan, e a arte marcial do Kung Fu. E assim sempre quis conhecer algo mais sobre o movimento do corpo humano. Dessa forma, não priorizando a dança na minha carreira, mas sempre mantendo-a presente, eu acabei entrando cedo na adolescência e desde os 9 anos saia em festinhas, onde passava cerca de 8 horas dançando sem parar. Um hábito que tenho orgulho de manter vivo, quando sobra tempo para o laser.
Já a música, foi quase que passada pelo sangue, pela minha família musical, e pela maioria de meus amigos, que sempre vieram a ser músicos, onde quer que eu fosse. Apesar dessas oportunidades, também aí nunca consegui adquirir a disciplina de aprender bem um instrumento. E assim, por comodidade, escolhi a voz. Ao longo desses 15 anos, foram variados os convites para integrar bandas, de rock, de samba, de bossa, forró ou mpb. Mas eu sentia também com a música, sempre a fome de algo mais, que não cabia em um só gênero musical. E assim, passei os últimos 10 anos pesquisando, de forma autodidata, as músicas tradicionais de todos os continentes, e alguma coisa de física acústica. Me concentrando de quase três anos para cá em técnicas vocais antigas.
A verdade é que eu me encontrei nas artes, quando me encontrei na dança e na música. Foi descobrindo uma forma de criar que correspondia à minha essência: a improvisação. Junto com a improvisação, que descobri quando caí de para-quedas, em um workshop de dança contemporânea, eu conheci a arte da performance, que vem a ser hoje, o meu xodó, já há 10 anos, no campo artístico.
A relação da Arte com as Redes é engraçada em minha vida, porque mudou totalmente o destino que eu tinha imaginado para minha vida. E tudo foi muito rápido. Aos 20 anos, enquanto eu me descobria nas artes, eu morava na França, onde estive por 7 anos, estudando e buscava formas de ganhar dinheiro para viajar pela Europa, eu comecei a trabalhar como burro-de-carga na produção de projetos culturais e execução de campanhas de marketing da pior qualidade, entre outros. Me aproximei de uma associação que fomentava a difusão da cultura brasileira na França e participei da fundação de uma outra, similar (porém unicamente voltada para cinema e televisão), com a qual trabalhei como correspondente mais tarde ao voltar ao Brasil, por 3 anos. E assim, decidi fazer um estágio na melhor rede de televisão que já conheci, a ARTE, franco-alemã, e patrocinada na época por apenas um único sponsor, uma marca de relógio suíço. Caí na produção audiovisual e comecei a fazer vídeos na faculdade em que estudava. Pronto, eu havia me apaixonado pela tecnologia. E durante um ano ela namorou com a dança, enquanto eu levava a câmera emprestada da faculdade para filmar dançando nas jam sessions do centro de dança contemporânea de minha cidade.
As Redes nasceram em mim no dia em que escolhi integrar uma matéria de prática de pesquisa que misturava, dança, vídeo, som e internet. Estávamos em setembro de 1999 e eu, junto com 20 outras pessoas batizamos o coletivo ESP, que já realizou 12 projetos diferentes desde então, em rede, e com diversos países. Através do Coletivo ESP eu tive a oportunidade de fazer workshops com os performers franceses mais importantes da última geração Fluxus, e conheci Kathelin Gray, que vinha a ser a pessoa responsável pelas relações humanas dentro do importantíssimo projeto Biosfera 2. Lembram dele? E neste ano entendi de forma extremamente sensorial o primeiro conceito importante em Redes: Sinergia.
Neste projeto aprendemos a criar dispositivos de baixa a média tecnologia, com ou sem uso de internet, que permitiam a interação audiovisual entre espaços distantes geograficamente, em/sem tempo real. Um momento lindo e que apesar de eu ter voltado para o brasil em 2001, não acabou. Colaborando virtualmente com o Coletivo ESP, realizei ainda 2 performances, uma ação internacional (Brasil, França, Argentina, Macedônia e Eslovênia) contra a escravidão tecnológica em 2002, e outra unicamente entre Brasil e França, em 2003. Dessa forma entendi um segundo conceito importante para mim: Telepresença.
Em 2002, foi o ano em que participei de um documentário sobre o Fórum Social Mundial e que abre uma paréntese interessante. Em meio a idealistas de todo o planeta, reinvindicando igualdade e justiça social, estava um monge vestido de laranja meditando sozinho no meio do parque, todos os dias. Fomos lá e perguntamos a ele: “porque em meio a tanta gente clamando por uma nova sociedade, você fica aqui sozinho em silêncio?”. Ele respondeu: “uma nova sociedade só será possível quando o homem aprender a ficar em paz consigo mesmo. Para mudar o mundo precisa-se começar de dentro. Eu estou ilustrando isso”.
Em 2003, eu já estava no Brasil há dois anos e a produção tinha se tornado uma atividade mais importante em minha vida. Comecei a criar projetos socio-culturais, como no passado pintava quadros, e a procurar captadores de recursos para eles, já que afinal eu era “apenas uma artista”. Fui indicada para uma pessoa do governo estadual, que disse que precisava que eu escrevesse um projeto de cooperação para o Brasil e a França. Este projeto deveria reunir uma universidade, alguns órgãos governamentais e empresas para que colaborassem em torno de um site. Ele disse que deveria ser “como uma autarquia, mas menos burocrático e mais democrático que isso”. Eu acreditei, e levei 3 meses pesquisando sobre formas de chamar isso. Eu enfim descobria as Redes!
O processo de elaboração do plano de negócios desta Rede foi interessante, porque Redes não costumam ter forma jurídica e apesar do projeto ser um site acabou sendo isso o que me pediram. Não sei quais eram as intenções naquela época, mas isso acabou sendo o que reforçou o projeto e permitiu que por fim acabasse se realizando sem padrinhos. E hoje há 3 anos se sustenta unicamente com esforços dos associados, como é possível de se fazer.
Em 2004 e 2005, enquanto eu entrevistava todos os interessados nesta futura Rede, quanto às suas estruturas jurídicas de decisão e cooperação, para fazer algo efetivamente democrático, consegui compreender o terceiro conceito que considero importante quanto a este tema: Identidade. E acredito que o resultado do projeto tenha ficado bom, pois passei a ser indicada para ajudar em projetos internacionais de cooperação desde então. Além da França, sendo chamada para iniciativas do Brasil com a Espanha e com a Itália, e da França com a América do Sul.
Por fim, a formação jurídica da tal Rede veio a ser uma associação, que ao meu ver, no Brasil, é a única forma passível de efetivamente atuar entre os 3 setores. Esta crença é reforçada pelo fato de eu colaborar com outra associação francesa que é apoiada por duas Redes Internacionais importantes, uma da Unesco e outra das Nações Unidas. Uma pequena associação que permitiu que duas Cátedras da Unesco fossem criadas em países diferentes e já organizou Grupos de Trabalho entre parceiros de diversos setores, ao longo de 10 anos.
Mas as Redes não foram na minha experiência apenas um mar de rosas e são os seus desafios que me trazem aqui. Na verdade o que aprendi até aqui com as Redes é que existe uma proporção entre a horizontalidade de decisão e o esforço de mobilização nelas. Com efeito, observo que quanto mais virtual a rede, ao contrário do que dizem as teorias, menos trocas efetivamente acontecem. Apesar de serem de altíssimo nível na medida em que a telepresença se manifesta por mais variados canais. E por outro lado, quanto maior a capacidade de mobilização que a Rede trás, embora mais resultados concretos sejam observados, mais ocorre a tendência humana de concentrar informação e poder.
Por isso, se falo mais sobre arte que sobre gestão ou sociedade neste post, é porque minha contribuição no tema Redes Sociais é resultante da sorte de ter tido uma experiência sensorial de interação artística, que é a forma mais prazerosa de vivenciar a rede; e o que pude vivenciar na área de cooperação internacional, que é a mais complicada e lenta forma de constituir rede. Dois opostos complementares.
Volto ao monge e me digo que nada é por acaso. Que quem se interessa por Redes tem uma missão social. Porque a Sociedade hoje é Rede. Mas se “é preciso começar por si mesmo”, a única coisa que meus 30 aninhos permitem que eu diga, é que não são as idéias e sim os sentidos que fomentam a cooperação em rede.
Um último exemplo engraçado. Leio livros do Pierre Lévy há dez anos, desde que entrei no coletivo ESP. Desde 2006, vendo estudando sobre administração, telepresença, redes, cooperação e ele sempre aparece em algum artigo que eu esteja escrevendo. Em 2007, cheguei a vê-lo em uma palestra que deu, organizada pela Rede São Paulo. Fiz uma pergunta, ele respondeu, e nada mais aconteceu. Hoje faço parte de seus contatos em uma ferramenta de relacionamento não por causa de minha pergunta, ou pelo facínio por alguns de seus livros, tão pouco pelos amigos que me levaram até aquela palestra naquele dia, que de alguma forma estavam envolvidos com o evento também, tão pouco pelos trabalhos que faço em redes sociais, ou qualquer projeto em que ele hoje esteja envolvido. Nosso vínculo hoje vem do fato que temos um amigo em comum, que vem a ser o curador do primeiro festival que o coletivo ESP participou, no ano 2000. Se hoje me pedissem para descrever a forma de uma rede, eu responderia: um ciclo.
A minha contribuição na Escola de Redes, como meu caminho me mostrou, é apontar direções para os mistérios da interação cultural, que a rede traz.
Minhas referências, das quais falarei mais detalhadamente ao longo do ano (agora exclusivamente concentradas no mestrado) são Capra, Maturana, Lévy, Castels, Barabási, Watts, e a interação que faço com os trabalhos de Tuomela, Desrosche, Moles, Bohm, Khrishnamurti, Bourdieu, DeMasi, e Checkland.
No Brasil, costumo indicar o Augusto de Franco como referência, pelo fato de que incorpora o lado “social” das redes com a nossa visão cultural, além de escrever de forma acessível, e com espírito de quem ama estar sempre aprendendo e não teme compartilhar seus conhecimentos.
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25 02 2009
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A Comunicação como construto da Sociedade Global
14 06 2008
Trecho extraído do artigo: Cibercultura e Presença – Um paralelo entre as Relações Humanas e a Sociedade Global, de Camila Santo, COPPE junho de 2008)
Nas sociedades orais, as mensagens lingüísticas eram partilhadas por emissores e receptores, dentro de um universo próximo de significado. Os atores da comunicação utilizavam o mesmo campo semântico, compartilhavam o mesmo contexto, e dividiam o mesmo tipo de fluxo de interação. A invenção da escrita abriu um espaço de comunicação desconhecido pelas sociedades orais, no qual se tornava possível tomar conhecimento de mensagens geradas por pessoas situadas à distância ou preservá-las por séculos, mesmo se os atores da comunicação não estavam em interação direta. Estas características tornaram a escrita o núcleo da racionalidade humana e acabaram oferecendo ao pensamento à possibilidade de se tornar universal.
Com a evolução da escrita nas civilizações, apareceu a necessidade de elaborar sua recepção, para que fosse possível haver mais receptores. Surgiram então as artes da interpretação, da tradução, e toda uma tecnologia lingüística (gramáticas, dicionários, etc), que correspondiam à idéia de Universalidade, enunciada nos Elementos de Euclides. Estes Elementos representavam um tipo de mensagem que não teria pertinência alguma na anterior sociedade oral. Assim, mesmo se permanece após sua invenção, a figura do intérprete (com papel central nas tradições orais), nasce uma nova figura, na comunicação: a do autor (típico da nova cultura escrita), que viabilizou ao ser humano, um auto-posicionamento no seu próprio discurso.
A revolução industrial mudou a configuração da experiência do cotidiano através do crescimento do tráfego urbano, da distribuição em massa dos produtos de consumo e dos novos meios de transporte e comunicação. Até a chegada da televisão, o cinema foi o mais singular e expansivo horizonte discursivo no qual os efeitos da modernidade foram refletidos, rejeitados ou negados, transmutados ou negociados, se transformando então em discurso social.
O livro, O Cinema e a Vida Moderna (2001), situa a visão como o instante da presença na sociedade pré-global, transformando este sentido no centro da atenção do corpo, e por conseqüência no centro da análise mental, incluída nos discursos. Com a chegada do som no cinema, os impactos visuais e auditivos consumidos em massa, promoveram um bombardeio permanente de experiências subjetivas que provocou choques perceptivos e físicos cada vez mais abrangentes, acionando constantemente os atos reflexos e impulsos nervosos em todos os tipos de indivíduos causando-lhes tensões viscerais e agregando um tom de ansiedade generalizado ao ambiente urbano da sociedade. Dessa forma, desde a invenção da linguagem cinematográfica, o corpo humano foi obrigado a socializar-se e nesse processo estabeleceu-se um domínio somático do ego sobre a formação de conhecimento. Este domínio foi acompanhado por uma regulação da atenção e padronização da percepção, aspectos que constituíram um dos espaços cognitivos da modernidade.
Com a representação do homem pelo aparelho, a auto-alienação humana encontrou uma aplicação altamente criadora.
Walter Benjamin (1993)
Para Benjamin (1993), o cotidiano designa a forma pela qual a experiência diária de produção e reprodução de atividades é moldada pela conjunção entre a lógica capitalista da mais-valia, a industrialização, a urbanização e a crescente automação, e abstração da formação social dominada pela burguesia. O cinema significa uma “mudança repentina constante”, um choque na vida moderna, que provoca sensações efêmeras acentuadas que atingem o sujeito com grande intensidade. Uma fenomenologia específica se concretiza assim na invenção de novos gêneros e estratégias de representação, resgatando a possibilidade de experiência sensorial em face do caráter efêmero da modernidade.
Benjamin (1993) vê uma guinada épica na direção da produção para as massas codificada além do cinema, na arquitetura, nas tendências da moda, nos eventos e instituições da alta cultura capitalista, que provocaram impacto profundo sobre toda e qualquer prática cultural. O conceito de cultura de massa e sua relação com o cinema, leva em conta a mistura, real e sem precedentes, de classes sociais, gêneros e gerações. Este conceito deriva de qualidades estruturais de da reprodução técnica: uniformidade, replicabilidade e proximidade.
Com o advento da televisão se apresenta um novo paradigma de comunicação em massa de nível internacional, que para McLuhan (1996) se integra com tecnologias planetárias (satélites), embora de forma limitante (ainda unidirecional). Em Meios de Comunicação como Extensões do Homem, o autor introduz a questão do impacto sensorial na comunicação humana, na fórmula: o meio é a mensagem. A sociedade começa a se configurar a partir deste advento como uma “Aldeia Global”, uma metáfora que o autor cria para definir a sociedade. Nesta aldeia, a forma de um meio social tem a ver as novas maneiras de percepção instauradas pelas tecnologias da informação. Os próprios meios são a causa e o motivo das estruturas sociais.
Lemos (2004), reconhece singularidades na obra de McLuhan (1996) com a atualidade, pelo fato de ter sido pioneira na descrição da sociedade mediática, mas, acrescenta que os meios de comunicação de massa (incluindo a imprensa e o rádio) apenas seguem uma linha cultural totalizante que já havia sido iniciada pela escrita. No caso das mídias de massa, a mensagem mediática será também, lida, ouvida, e vista pelas pessoas do mundo afora; só que dessa vez, de maneira a encontrar, ou até impor, uma capacidade interpretativa comum aos seus receptores.
Portanto, a verdadeira ruptura com a pragmática da comunicação estabelecida pela escrita não pode vir à luz com o rádio ou a televisão, pois esses instrumentos de difusão em massa não permitem nenhuma verdadeira reciprocidade, tampouco interações transversais entre os participantes. Em vez de emergir das interações vivas de uma ou mais comunidades, o contexto global instaurado pela mídia fica fora do alcance dos que consomem, sujeitos apenas a uma recepção passiva, isolada. Os correios, o telefone, a imprensa, as editoras, as rádios, as incontáveis redes de televisão formam apenas um espaço de interconexão aberto, que hoje são muito mais animados graças às comunicações transversais e os processos de inteligência coletiva encontrados na Internet.
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