OFICINA DE PERFORMANCE

13 06 2008

O Artista Interativo

Seleção para evento internacional multimídia

Direção: Camila Santo

Duração: 6 meses

Carga Horária: 40 horas

Início: Junho de 2008

Término: Dezembro de 2008

Horários: 2ª e 4ª terça do mês de 15h a 17h

Capacidade máxima: 20 pessoas

Taxa de participação: R$ 20/mês

PROGRAMA:

Aulas sobre performance multimídia, corporal e vocal. Palestras e apresentação de técnicas de improvisação. Práticas e experimentações de criação individual e coletiva. Apresentações artísticas. Formação de grupo de performance.

OBJETIVO:

  • Desenvolver um grupo com habilidades para criar coletivamente, em tempo real, coreografias e diálogos, com utilização de tecnologias e em interação com o público;
  • Realizar apresentações artísticas com o grupo;
  • Registrar um processo de criação contemporânea em cooperação com coletivo internacional.


CONTEÚDOS:

  • História da performance multimídia: exemplos e conceitos
  • Iniciação a técnicas de improvisação corporal e vocal
  • Resgate de memória cultural
  • Montagem de perfil artístico
  • Exploração dos conceitos de diálogo e interação
  • Criação coletiva
  • A relação com o público
  • Percepção semiótica


SELEÇÃO:

Um grupo inicial será selecionado através de currículo e carta e intenção. Para este grupo a presença nas 3 primeiras aulas e nos 3 primeiros ensaios garante certificado de participação. A seleção do grupo final será feita através de audição. O grupo final será selecionado a partir da presença nas em no mínimo 9 encontros e participação em pelo menos 1 apresentação.

Inscrições para a seleção: Enviar currículo resumido e carta de intenção para o e-mail: camila.santo@gmail.com


Apoio: Atelier Corporal

Rua General Glicério, 400 – Loja A (Fundos) – Laranjeiras / Rio de Janeiro

www.ateliercorporal.com.br


Maiores informações: (21) 8181-2237 | 2242-5365

HTTP://milasan.wordpress.com





O que vem depois do desenvolvimento?

2 05 2008

Parece que já podemos todos observar que as populações mais densas tiveram sempre de passar por uma organização política que acabou condenando-as à finalidade de necessitar difundir tecnologias e fazer guerras para manter um patamar de desenvolvimento. Um processo que embora tenha sido o principal motor das principais invenções técnicas, difusões tecnológicas e estruturas organizacionais que fundamentaram a sociedade moderna. É também um ciclo vicioso que disfarça uma fórmula sistematicamente utilizada por várias civilizações, para que se tornassem dominantes, em momentos diferentes da evolução humana.

Primeiro ocorre a divisão do trabalho da população depois o nascimento da burocracia que causa o surgimento de uma nova camada populacional, sedentária, com enorme necessidade de centralizar o poder, conquistar novos territórios e descobrir novos produtos, que tornem a sociedade mais competitiva com relação as outras.

O que vem depois disso para a sociedade? Li um livro que me fez pensar no assunto:

DIAMOND, Jared. Armas, Germes e Aço: os destinos das sociedades humanas. Rio de Janeiro. Editora Record. 2006

Jared Mason Diamond iniciou sua carreira na área de fisiologia, ampliando seu campo para as áreas da biologia, da geografia e da ecologia. Professor de Fisiologia desde 1966, na Escola de Medicina da Califórnia – UCLA, hoje pesquisa ali [3], Geografia e Sociedade Humana, e Biogeografia.

A reflexão que desenvolve neste livro explica como os fatos ocorridos nos últimos cinco séculos, podem ser enxergados dentro de um processo interligado de conquistas, de disseminação de epidemias, de práticas de genocídios e de miscigenação cultural, que provocaram as atuais desigualdades do mundo moderno. Ao mesmo tempo, este processo é conseqüência de outros processos naturais da evolução humana que começaram há mais de treze milênios atrás, através das práticas de cultivo de plantas e da domesticação de animais e hoje culminam numa sociedade global.

Armas, Germes e Aço: os destinos das sociedades humanas realiza uma associação da história da produção dos excedentes de alimentos com a geografia dos fluxos migratórios e seus impactos biológicos e associa diversas metodologias científicas e abordagens de diferentes áreas. Assim, revela que as ciências modernas, poderiam ser um caminho para a integração de conhecimentos em diversas áreas. Beneficiando a populações de todos os eixos, com seus níveis de desenvolvimento, dentro de uma perspectiva não-excludente, abundante.

A Diversidade entre as regiões ao longo da história é um dos fios condutores deste livro. Se a espécie humana se distinguiu dos gorilas, um dia, também os grupos de seres humanos se diferenciaram entre si, em função das regiões onde se estabeleceram, ao longo da evolução humana, e principalmente desde a era glacial. Diamond volta sete milhões de anos no tempo para oferecer uma visão de que toda a humanidade evoluiu biologicamente a partir de um mesmo princípio: a adaptabilidade.

A adaptabilidade aparece através do processo que cada povo viveu dentro de um determinado tipo de condições ambientais, ou dependo exclusivamente da natureza, ou dependendo do desenvolvimento permanente de novos conhecimentos técnicos e tecnológicos para produzir e estocar alimentos e manufaturas. Estes dois diferentes processos gerariam demandas diferentes de organização social, uma integrada e outra mais expansiva. Foi assim que em alguns locais específicos do mundo, surgiriam centros independentes de produção de alimentos, que se desenvolveram ao longo dos últimos sete mil anos. E assim, as primeiras ferramentas, armas, máquinas, divisão de trabalhos, trocas, hierarquias, línguas, arquiteturas, e por aí em diante.

Estes centros independentes de produção de alimentos viriam também acompanhados um determinado comportamento com relação à ecologia, decorrente de uma produção extensiva. A ausência de consciência ambiental, um conceito muito recente, causaria um esgotamento do território em zonas com natureza frágeis, estimulando uma necessidade de expansão. A questão da produção de alimentos parece ser a principal explicação para os fluxos migratórios, guerras e até mesmo para o desenvolvimento e decadência dos povos ao longo da história. Por isso, o tema é amplamente exposto, no livro, a partir de cinco fatores interligados:

  • O primeiro fator é a descoberta de que a África e a Austrália apresentaram uma variedade menor de plantas cultiváveis e de animais domesticáveis comparada com a região da Europa e Ásia.
  • O segundo fator é que isso gerou uma vantagem que daria a esta última região, mais elementos para incentivar as migrações e a difusão de conhecimentos.
  • O terceiro fator acontece por este tipo de vantagem ter impulsionado as expansões migratórias cada vez mais longe, disseminando também conhecimentos que cedo se transformaram em formas de dominação e motivos para confrontos.
  • O que se apresenta no quarto fator, é que a questão do tamanho de uma região e de sua população eram elementos relevantes para o nascimento de grandes civilizações, unidas ou competitivas, que reuniam as vencedoras e com as vencidas.
  • O quinto fator é que as grandes populações que tiveram maior capacidade de difusão de conhecimentos, por gerarem mais inventores.

Armas, Germes e Aço: os destinos das sociedades humanas ganhou o prêmio Pulitzer em 1998, foi traduzido em 25 línguas e ganhou também um Prêmio da National Geographic Society, que realizou um filme a partir dele [1] que foi transmitido numa televisão de Londres no programa PBS. Em nosso país o livro é recomendado [2] como referência para alunos e educadores do ensino escolar graças por sua exposição acessível do “complexo jogo da evolução das sociedades”.

Este livro também apresenta um panorama interessante de idiossincrasias de pessoas que delinearam a história, como Confúcio, Cristo, Lênin, Martin Luther King, Maomé, Hitler, Alexandre o grande, o imperador Pachacuti, Guilherme o conquistador e o rei zulu Shaka. Mas de alguma forma não aproveita a ocasião para sugerir o investimento na atividade científica de pesquisa biográfica. O que me parece seria o mais coerente para estimular futuras pesquisas sobre algumas vidas que mudaram o curso da história, como promete em seu livro. Afinal, no mundo moderno, grande parte do repertório cultural que forma a mentalidade da sociedade globalizada vem da indústria audiovisual, o maior veículo de assimilação de valores ideológicos e estéticos profundamente instaurados em grupos e comunidades.

Mesmo se fica a impressão, ao final da leitura do livro, que cumpre seu papel de ultrapassar teses de cunho evolucionista e desmistifica a elaboração de teses anti-racistas em diversas áreas. O livro não anuncia o que vem após este ciclo vicioso que envolve o desenvolvimento. O que vem depois do desenvolvimento, para mim, são pessoas especiais. Pessoas que mudam a vida de muitas pessoas e assim de todo o destino da humanidade. Que relação elas têm com a evolução humana?

[1] Guns Germs and Steel. Disponível em: <http://www.pbs.org/gunsgermssteel/>, acesso em 28/03/2008.

[2] Portal Aprende Brasil. Livros recomendados. Disponível em:

http://www.aprendebrasil.com.br/recomenda/novorecomenda/livros.asp?IDLivro=23854>, acesso em 28/03/2008.

[3] UCLA – Department of Geography. Disponível em:

<http://www.geog.ucla.edu/people/faculty.php?lid=3078&display_one=1&modify=1>, acesso em 28/03/2008.





Texto bacana que o Luciano Loureiro me enviou

16 04 2008

AS NOVAS TECNOLOGIAS E O ATOR PÓS-DRAMÁTICO


Ronaldo Nogueira da Gama é ator e diretor de teatro. Mestre em teatro e artes do espetáculo, pela Université de Paris III – Sorbonne Nouvelle. Atualmente, doutorando em teatro, pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UniRio.


Durante séculos o ator reinou, soberano, no teatro. Com a chegada da fotografia e do cinema, porém, vimos o estatuto dessa e outras formas de arte se modificarem bastante. Coincidentemente, surgiram, mais ou menos na mesma época, os diretores de cinema e seus duplos no teatro. Em seus primeiros anos, o cinema utilizou as formas de produção e criação teatrais até que foi, aos poucos, se afirmando como divertimento e, mais tarde, como arte, estabelecendo seus próprios códigos e especificidades. Como afirmou Walter Benjamim, o cinema e sua nova linguagem mudaram a maneira de ver e perceber as coisas. O que torna o teatro irreprodutível é exatamente seu caráter efêmero de um evento não durável. Walter Benjamim em A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, fez várias alusões ao cinema como uma reprodução do trabalho teatral. No entanto, o uso da tecnologia foi incorporado ao teatro, não somente como meio de reprodução, mas também incorporado nos processos de criação e encenação teatrais, transformando a própria reprodução num elemento visto em cena, ‘ao vivo’. O que desencadeou, como se podia prever, novas formas de ver e também de produzir uma obra de arte.

Em relação ao trabalho do ator surgiram, então, novas formas de representar e encenar, como nos é mostrado por Béatrice Picon-Vallin em sua pesquisa sobre o teatro contemporâneo. “Para se ter uma evolução histórica do uso de tecnologia em cena e intercâmbio entre o teatro e as artes da imagem, como cinema ou fotografia, poderíamos começar evocando a radicalidade de Vsevolod Meyerhold, encenador e pesquisador, cujo teatro continuará para aqueles que já estão no século XXI, um lugar de audácia, de virtuosismo e de experimentação de onde emanam“, como escreveu Peter Sellars “um apelo que nos convida a continuar o combate sem nos deixar em paz“.(1) Para Meyerhold, encenador por excelência, o ator é o centro do teatro. “Mesmo que tiremos do teatro a palavra, o figurino, a ribalta, as coxias, o prédio do teatro, desde que reste o ator e o domínio de seus movimentos o teatro continuará teatro“, escreveu ele, em 1914. É o movimento que constitui o meio de expressão essencial do ator ‘rei’ do teatro.

Nos anos 30, o ‘jogo do ator’ é um dos dois componentes de encenação, na opinião de Meyerhold, sendo a ‘composição do conjunto’ a outra. O domínio da encenação, a arte da construção de cenas, o uso da iluminação, da música, tudo isso deve servir a atores altamente qualificados. Aliás, Meyerhold considera que o ator é o compositor textual, visual e sonoro de seu próprio jogo. Ele idealizava um ator polivalente que fosse verdadeiramente músico, dançarino, artista de circo e de variedades, capaz a qualquer momento de concentrar seu jogo ou de quebrar sua continuidade, em proveito da performance. Ele seria um ator que teria a síntese das artes, de todas as artes que são abrigadas num palco, as artes plásticas, a música, a dança, o circo e music-hall. Ele imaginava para o ator “uma formação completa que o tornasse capaz de desenvolver com precisão a sua presença em cena, de inventar seu próprio jogo, ‘não psicológico’, e capaz de construir as emoções do espectador“.(2) Tudo é permitido para atingir essa finalidade, pois, como afirma Meyerhold, “em arte não há técnicas proibidas o que existe são técnicas mal utilizadas“.

Ao contrário de tentar destruir o teatro, o domínio de novas técnicas tornaria seus limites mais abrangentes, explorando seus territórios com novas fronteiras móveis. Ele vai mesmo introduzir telas e projeções de imagens e de textos no palco, imaginando poder projetar filmes em seus espetáculos, o que ele só poderá fazer, em 1927. O texto escrito para o teatro foi largamente combatido, tendo em Edward Gordon Craig um de seus principais combatentes e precursores de uma nova forma do fazer teatral. Craig, entretanto, não conseguiu realizar, ele próprio, esse teatro sonhado, baseado na sua nova ‘visão’ do teatro. Craig sonhava reformular o fazer teatral, uma nova maneira de representar. Ele imaginava esse novo ator como uma ’super marionete’. Meyerhold, por sua vez, foi pioneiro no novo métier teatral, o encenador, chamado por Louis Jouvet de “criador de formas, um poeta da cena, que escreve com gestos, ritmos, com toda a língua teatral“, afirmando ainda que “Meyerhold tinha de seu futuro espetáculo uma visão cênica tão viva que ia até à alucinação“.(3) No lugar do ideal da ’super marionete’ de Craig, que ele evoca aliás várias vezes, Meyerhold lançou o conceito de ’super ator’. Quer dizer, bem concretamente, aquele que comporia sua interpretação depois de ter decomposto seu material de trabalho. Sendo encenador de si mesmo, seria aquele que não temeria as imagens que se introduzem no palco, pois ele teria a consciência que a nova arte do século XX, o cinema, se desenvolve com, e ao mesmo tempo, que o teatro de vanguarda, o seu teatro.

A cena teatral atual, ainda que encolhida e pobre, no que diz respeito às pesquisas de linguagem, investigação artística, sobretudo no Brasil, é o lugar único onde se coloca o espectador e o ator diante suas múltiplas imagens e representações que lhes cercam na vida cotidiana, e toda a gama de seus duplos tecnológicos, fotográficos, fílmicos, videográficos, clones virtuais, ou marionetes eletrônicas. Sem dúvida, o teatro é, hoje, um lugar de experimentação, onde podemos questionar o conceito de presença e ausência e sua relação entre atores e espectadores. A imagem do ator ou sua ‘presença ausência’ desperta uma enorme curiosidade e interesse no espectador. O ator pode tomar consciência dos diferentes registros de presença que são à sua disposição e, então, poderá melhor organizar seu trabalho, sua interpretação. Hans Thies Lehman afirma que no teatro de hoje, o ator não mais representa um papel mas é o performer que oferece sua presença em cena pra uma contemplação. Sendo que na performance, como no teatro pós-moderno, é mais importante a presença provocante do homem que a representação de um papel. Ele ainda ressalta que isso representa um certo número de aspectos dessa problemática, por exemplo, a técnica da presença ou a dualidade entre encarnação e a comunicação, e nesse ponto ele determina a necessidade de uma profunda reflexão a ser feita a partir das novas formas de percepção. Essas novas formas de percepção, tornaram-se possíveis, na opinião de Robert Lepage, que navega entre as experiências de palco e tela com bastante liberdade e desenvoltura, após a multiplicidade da criação audiovisual iniciada nos anos 1970. Lepage lembra, ainda , que um teatro de imagens não baseado no texto, fortaleceu-se nos anos 70, quando pessoas que tiveram formação teatral com Jacques Lecoq, por exemplo, ( e também Decroux, Barba, etc), iniciaram uma forma de teatro mais visual. A integração do vídeo veio mais tarde, por que ela exigia meios que não eram acessíveis à gente de teatro. E a partir daí, a influência do teatro europeu e internacional se faz sentir. “A dança teatro de Pina Bausch, o teatro de Bob Wilson, que também são teatro de imagens, ajudaram a mudar as coisas“,(4) conclui Lepage. No Brasil, várias experiências são realizadas dentro desse novo universo. Temos os cenários de Daniela Thomas, as encenações de Gerald Thomas, Felipe Hirsch e Enrique Dias e vários outros que buscam novas formas de encenação. Sserá preciso acompanhá-las de perto numa tentativa de localizar o teatro brasileiro na história do teatro mundial.

Hans Thies-Lehman analisa o teatro de nosso tempo chamando-o “pós-dramático”, onde ele enfoca as experiências com o texto começadas pelo teatro do absurdo até novos confrontos com outras formas de arte. Ele afirma que “a transformação operada na utilização dos signos teatrais tem como conseqüência que se tornam mais flutuantes as delimitações que separam o gênero teatral de formas práticas , como a performance art,que tendem a uma experiência do real“. (5) E ele continua, afirmando que a performance se aproxima do teatro, na sua busca de estruturas visuais e auditivas elaboradas, indo até às novas tecnologias de novas mídias e por sua utilização de espaço-tempo mais estendido. S Segundo Picon-Vallin, “no interior das práticas interdisciplinares que fazem parte da história da cena do século XX, onde aumenta porosidade das fronteiras entre as artes do espetáculo, foram fatores determinantes a imagem química de ontem e hoje eletrônica, ou digital, e que vem ocupando um lugar cada vez maior“. Ilustrativa ou atuante, ela confere à cena, ou ao ator, diferentes registros de presença. Ela propõe suas imagens como parceiros, ela dota o corpo do ator de um corpo aumentado ou o habitua a observação do espectador de forma pontilhada. Ela faz penetrar o espectador em seu corpo. Ou o transforma em um átomo, ou em close-ups espalhados. Podemos ver mágicas que nos foram mostradas há tempos por George Méliès, em forma de cinema, ou não seria o contrário, o cinema em forma de mágica? Era o começo de uma mágica.

Hoje, já temos nos espetáculos de dança, mais comumente, corpos vivos interagindo com imagens, humanas ou não. Softwares são criados para isso. Esses recursos colocam o ator polivalente, diante de novos desafios. Velhos desafios já foram colocados por Artaud, outros, afrontados pelos atores de Meyerhold. O ator teve seu métier pesquisado detalhadamente e planificado por Stanislavski. E assim foram elaborados métodos e técnicas por outros encenadores pesquisadores, adaptando-os sempre à sua necessidade. Para Meyerhold, segundo afirmação de Béatrice Picon-Vallin, “Toda arte ou toda técnica utilizada pelo teatro deve ser feita a partir de um ponto de vista teatral“,(6) as tecnologias da imagem e do som reforçam a necessidade de uma formação sólida, e uma aprendizagem eficaz. Pois elas desestabilizam as relações entre os parceiros da equipe de criação, elas inauguram modos de trabalho diferentes, onde o processo vira o objeto de todas as atenções. E esses novos modos de trabalho prenunciam, influenciados por novos olhares, novos modos do fazer teatral. Essas novas tecnologias, continua Picon-Vallin “fazem da cena um lugar de experiência e de crítica, para pensar nas situações de mudança da sociedade“.(7) Vemos espetáculos que têm como objeto seu próprio processo de criação. Deixando à mostra a colaboração de todos os envolvidos na parte criativa. O ator, então, deve se relacionar diferentemente com seus novos parceiros. Deve responder às necessidades que a nova cena lhe exige. Poderíamos estar na iminência de ver um novo ator? Um super ator como queria Meyerhold? O ator pós-dramático?

Notas
1. Picon Vallin, Béatrice. Article en attente de publication – Os novos caminhos para o ator – artigo dado no curso Le théâtre au xx siécle, ministrado na universidade de Paris III Sorbonne Nouvelle – 1999.
2. idem.
3. Picon Vallin, Béatrice. La scéne et les images. Editions du CNRS, Paris 2002.
4. Picon Vallin Béatrice (org). Les écrans sur la scène. Entrevista dada a Ludovic Fouquet. Coll. théatre au XXéme siècle, Éditions l’Âge d’homme, Lausanne, 1998.
5. Lehmann, Hans Thies. Le théâtre post-dramatique. Paris: L’Arche, 2002.
6. Picon Vallin, Béatrice. Les écrans sur la scène. Coll. théatre au XXéme siècle, Éditions l’Âge d’homme, Lausanne, 1998.
7. idem.

Bibliografia
FOUQUET, Ludovic. Robert Lepage. L’horizon en images. Montréal: L’Instant Scène, 2005
LEHMANN, Hans-Thies. Le théâtre post-dramatique. Paris: L’Arche, 2002
PICON-VALIN, Béatrice (org.). Le film de théâtre (textes réunis et présentés par Béatrice Picon-Valin). Paris: Éditions du Centre National de la Recherche Scientifique, 1997
PICON-VALIN, Béatrice.
Quais os novos caminhos para o ator? Artigo para publicação adotado no curso Le théâtre au XXéme siècle. Université Paris III Sorbonne Nouvelle, 1999.
PICON-VALIN, Béatrice. Théâtre du XXème siècle. Les écrans sur la scène. Lausanne: Éditions L’Âge d’Homme, 2004.
PICON-VALIN, Béatrice (org.). La Scène et les images (textes réunis et présentés par Béatrice Picon-Valin).
Paris: Éditions du Centre National de la Recherche Scientifique, 2002


Prof. Luciano Loureiro
Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Pena - ETETMP
Endereço: Rua Vinte de Abril, 26 – Centro – Rio de Janeiro – RJ.





Indico

16 04 2008

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Filipeta Contato Guto 5, originally uploaded by camilasanto.





Uma nova área de conhecimento em minha carreira

9 04 2008

Estou fazendo mestrado na COPPE, na área de Engenharia de Produção.
Minha linha de pesquisa é a gestão e inovação com ênfase em iniciativas sociais e organização do trabalho.
A Área de GI desenvolve estudos relativos aos processos de geração das inovações, difusão e implementação das mudanças tecnológicas em diversos setores de atividades econômicas (serviços). A análise dessas mudanças apoia-se em abordagens multidisciplinares -engenharia, gestão das informações, economia da inovação e do conhecimento, sociologia da ciência e da técnica, políticas públicas - que levam em consideração a complexidade e diversidade institucional desses processos.
Os estudos em andamento visam sistematizar as estratégias de gestão e transferência dos conhecimentos e desenvolver tipologias de aprendizado, analisar as condições para a reestruturação industrial e a emergência de novos campos de atividades (setor de serviços ) e identificar as novas necessidades em termos de qualificações e competências dos recursos humanos no contexto da economia do conhecimento.
A gestão de iniciativas sociais busca realizar estudos voltados para projetos de pesquisa e intervenção que ofereçam padrões e ferramentas gerenciais compatíveis com o atendimento de necessidades e interesses sociais, e de difusão científica e tecnológica.





Agradecimento - DJ Gel

25 01 2008

Conhecer o DJ Gel foi um dos presentes de natal do ano de 2007. Como eu, ele tem vida múltipla, trabalha como dj por prazer e ganha a vida em um escritório jurídico de BH. Mas isso não o impede de ser criativo. Vejam que bacana seu agradecimento ao MexeQMexe, campeão de votos na virada do ano no Overmixter, gesto que retribuo divulgndo o material.

“Camila, Boa Noite!

Quero agradecer pela sua contribuição no overmixter, sendo que possibilitou pra mim, novas experiências sonoras, e uma delas está neste remix que utilizei um trecho de sua voz -MEXE Q MEXE- em todo instrumental praticamente, sendo como um instrumento prato de bateria ou chocalho.
Parabéns pela sua arte e por incentivar a criatividade de tantos djs amadores e profissionais.
Obrigado!
Um Abraço!
Giovanni < Dj Gel >”

E-mail enviado em 27/12/2007

A parceria MilaSan e DJ Gel foi realizada totalmente à distância graças ao site Overmixter através do sistema Creative Commons. Confira estes áudios e outros também realizados em parceria na página : http://milasan.ning.com/





Grupo Vissungo: Curta de novo este sonho

10 01 2008

capa-cd-boa.jpg

Ricos comerciantes Ovimbundos (sul de angola) olham entre ressabiados e contrariados para a câmera do fotógrafo inglês James Johnston em 1893

Capa-’viagem, totalmente sem noção (ninguém sabe ainda, é claro, como a capa do ansiado CD será)

VISSUNGO rides again!

O Vissungo rolou de 1975 até 1996. Espécie de emblema musical de uma época e de um tipo de atitude diante da cultura brasileira, pouca coisa deixou, profissionalmente, registrada. A idéia contudo não morreu. É brasa dormida. A novidade reamadurece como uma fruta que voltou a ser tenra, pois, já existe na cabeça de alguns românticos empedernidos (leia POST SOBRE O ASSUNTO) a intenção de gravar um CD definitivo do grupo.

No rastro do projeto do CD físico e online (ou seja em corpo e alma) anda se falando numa série de shows ao vivo, com convidados engrossando o caldo da proposta que, será toda monitorada, registrada ou ‘makingoffeada’ num blog específico, para o qual este post aqui vai ser transferido, brevemente.

Quem viver verá.

A sua força e desejo, vai ser uma parcela considerável da concretização da virtual esperança em realidade. Curta e comente.

Spirito Santo, janeiro 2008

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Ano começando com boa nova

5 01 2008

Mexe Q Mexe, uma experiência vocal que compartilhei no Overmixter, da plataforma Overmundo é hoje um dos áudios mais votados do site!

O Dj Gel já fez duas intervenções uma neste áudio que chamou de Gigiomix Amandtempassa.mp3 e outra no Kung Fu, que chamou de GelmixinMilaSanKgfu.mp3. Em breve estarão no meu myspace e no ning. Confiram.

Para quem quiser usar o material também, tem todas as informações sobre o creative commons em: http://www.overmundo.com.br/overmixter/media/people/camilasanto

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2008 - Ano da Essência

1 01 2008

Encontro minha essência nas atitudes independentes: querer, fazer, aceitar, pedir

Momento de transição no movimento de minha vida

Como água, suave e paciente, mas com força irresistível

Fluxo: atenção, decisão e solução

Livre para o improvável,

Mantenho uma contínua percepção de propósito e cultivo minha disciplina, lealdade e dignidade





Visualizar Rede

31 12 2007

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Observe esta imagem e imagine sua própria rede dentro da BrFr.