O empreendedorismo me ensinou a enxergar limites como caminhos para a superação de dificuldades. A noção da efemeridade costuma ser bastante associada com a arte contemporânea pelos seus próprios profissionais. Mas eu aprendi fora deste mercado que uma sociedade melhor, é construída com a sinergia de pessoas. Alcançar mais com mais gente… é algo que demanda continuidade. E assim eu me concentrei novamente na arte nos últimos anos, enriquecida por uma visão maior do mundo que a engloba, com fome de ser uma conexão dela com ele. Alimentada pela utopia de que ela pode gerar melhor sinergia no povo brasileiro.
Parte de mim é bem antiquada e eu achava que por ter mãe e pai educadores com longa estrada em projetos sociais, eu tinha que seguir de alguma forma, uma missão de ajudar a sociedade a ser melhor. Minha mãe fundou uma escola pública para meninos de rua junto com outras professoras. Meu pai afastou incontáveis jovens de comunidades do destino inevitável de aderir ao crime para optarem por se tornarem multiplicadores de arte-educação.
Entretanto, os caminhos que levam nossos feitos a mudarem o rumo da humanidade, não são controláveis por nossa vontade já que a própria visão da realidade é limitada por natureza. Conhecimentos bem intencionados podem ser transformados em ferramentas de dominação política, ideológica e cultural. O sistema é uma teia. A arte de vanguarda pode facilmente se transformar em arte de elite, eternizando desigualdades; enquanto o “brega” muitas vezes é um fator que dissemina comportamentos sociais mais positivos. Vivemos, numa era de apologia à mediocridade, ao mesmo tempo em que prosperam as tecnologias de acesso à informação. Como melhorar qualquer coisa quando o padrão é medido por baixo num país que despreza a educação? Em tempos de petições públicas online, milhões de brasileiros preferem votar em BBBs que em representantes políticos.
Enquanto eu ia pensando nesse assunto, entre fracassos e sucessos, e certamente sempre tendo que rever minhas altas expectativas, para que coubessem em dias de 24 horas, semanas com 7 dias e anos com 12 meses, eu fui ficando ainda mais fascinada pelas relações humanas. Aprendi com minhas derrotas que as maiores vitórias acontecem no plano do “um-a-um”, ou “P2P”, termo que usamos nos estudos de teorias das redes sociais.
No estudo das redes sociais eu pude pesquisar os processos cognitivos de trabalho e entender as motivações, interesses e conflitos que permeiam as cooperações em grupo. A engenharia de produção é um campo de conhecimento relativamente jovem e que se relaciona bem com o design. Estudar redes sociais demanda conhecimentos em diversas áreas e assim durante o mestrado eu pude estudar economia, filosofia, biologia, ergonomia cognitiva e até as ciências da linguagem. Descobri durante esses três anos que toda comunicação envolve aprendizado e criatividade de expressão. Se eu ainda não integrava a arte ao mundo, eu agora sabia o que integrava o mundo a ela.
Então, hoje a criatividade é o novo tema da moda. A cadeia produtiva da cultura entendeu que num mundo conectado, o grande diferencial está situado na habilidade de se destacar dos padrões, sem com isso se revelar inacessível.
As artes visuais e performáticas, e os mercados de design e de mídias procuram agora cooperar, entendendo que atuando em rede podem se integrar melhor a massificada demanda por tecnologia, que irrevogavelmente depende de um pouco mais de humanização, seja numa projetação mais ergonômica (para o uso extensivo da tecnologia não interferir na saúde), seja na sua habilidade de entreter (para simular uma realidade virtual cada vez mais sensorial). E nesse sentido, de todos os lados se enxerga hoje possibilidades de desenvolvimento econômico para artistas dispostos a cooperarem com as indústrias e empresas, como há uma década se via para os programadores de softwares e técnicos de hardwares. A arte é cada vez mais reconhecida pelo valor de seu conhecimento enfim.




